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O Poder e as suas Relações em Foucault
               O PODER E AS SUAS RELAÇÕES EM FOUCAULT



Quando analisamos a questão do poder, percebemos que ela está de fato, inserida nas relações sociais, políticas, econômicas e tecnológicas, dentro de uma sociedade. Os indivíduos que dela fazem parte, segundo Foucault, exercem-no de todas as formas e em várias situações: hora dominando, hora sendo dominado. No entanto, vale ressaltar que uma causa sempre gera um efeito. Portanto, enfrentamentos são constantes por parte dos que se sentem incomodados com o poder exercido pelo Estado, pelas instituições, etc.
O poder não pode ser considerado como uma propriedade, uma coisa que se vende compre ou troque. Não deve ser detida por uma única classe que o teria dominado (dominante), ao contrário, a relação de poder deve presumir um enfrentamento perene e\ ou perpétuo. O funcionamento do poder deve ser compreendido através de estratégias e os seus meios não são de forma alguma condizentes com uma apropriação, mas sim, com táticas e técnicas. Forças que se chocam e se contrapõem.
Foucault afirma que a força se define por seu poder de afetar outras forças e ser por ela afetado. Está também relacionado ao saber, e embora possuam diferenças e papéis específicos conseguem se articular. O poder deve ser também compreendido como exercício e o saber como um estatuto que nos remeta a uma reflexão entre estas duas forças.
A linguagem, por exemplo, constitui uma poderosa força de poder, desde quando, uma parcela significativa da sociedade brasileira, não tem acesso às informações importantes para seu crescimento, econômico, político e social. Principalmente por morar em cidades e povoados longínquos, onde vive atrelada ao sistema vigente, presa aos empregos públicos, alheia às vezes, ao que acontece de importante para o seu crescimento e desenvolvimento em determinados aspectos da sociedade como um todo.
Em muitas localidades não existem bibliotecas, jornais, revistas e os únicos meios de comunicação são: o rádio e por muito a televisão. A mídia com o seu extremo poder de sedução e convencimento, por vezes, nestes casos específicos, consegue alienar, tornar as pessoas mais submissas, medrosas e frágeis.
Este fato possibilita o controle por parte da chamada classe dominante e burguesa, que ao longo do tempo, vem tentando calar a voz da grande maioria do povo, quando utiliza meios não confiáveis de convencimento, subterfúgios e regras rígidas, que impedem de forma contundente, o pleno exercício da cidadania. A linguagem sendo assim, não é criada para que se acredite nela, mas para fazer obedecer, pois, de fato, possui poder de promover e exclusão social.
O alto índice de analfabetismo, a fome, a miséria, a má qualidade do ensino público em muitas localidades, indicam claramente que uma parcela da sociedade brasileira é desinformada, vive a margem do conhecimento que liberta e transforma.Tem medo e luta basicamente pela sobrevivência e por isso vive a mercê dos acontecimentos, obediente ao sistema. Evidentemente observamos no cotidiano a supremacia de uma classe sobre a outra e o fato de uma significativa parcela da sociedade brasileira ser de baixa renda, possuir pouca escolaridade, falar variante lingüística não condizente com a norma culta, é exemplo relevante de comprovação do poder institucional que demanda sobre a população.
No entanto, essa caótica situação poderá ser transmutada, a depender de uma série de interesses, politização e movimentos sociais, caracterizando assim, que o poder é vivenciado de alguma forma, entre pobres e ricos em maior ou menor proporções; no âmbito de cada segmento da sociedade, nas relações familiares, de amizade, nas relações conjugais, na sexualidade, nas relações profissionais... O exercício do poder acontece de forma simultânea e está em todas as partes. É um jogo de forças antagônicas, mas que também tem um sentido produtivo, pois integra e articula os diversos focos do poder, constituindo uma rede que permeia todo o corpo social.
Uma variedade lingüística vale como espelho do poder e da autoridade que os sujeitos tem nas relações sociais, culturais, políticas e econômicas.
A humanidade viveu em tempos remotos sob rígida vigilância, e hoje, com a tecnologia mais avançada, vive sob o “olhar” mecânico dos circuitos internos de tv, (sorria você está sendo filmado) implantado nos estabelecimentos comerciais, condomínios, presídios, bancos etc. Sob a justificativa por vezes, de proteção contra a violência, a informática, ou seja, as máquinas, também exercem poder sobre o homem, que é constantemente vigiado e punido por infrações que a sociedade institucional impõe em nome da honra, ordem, disciplina e boa conduta do cidadão.
Em Vigiar e Punir, Foucault define as sociedades modernas, como disciplinares, mas não devemos entender a disciplina como instituição nem tão pouco como aparelho, por ela ser um tipo de poder, uma tecnologia que ultrapassa as espécies de aparelhos e instituições, para fazê-los convergir, prolongá-los e fazer com que se apliquem de um novo modo.
O poder, portanto, não é atributo, não possui essência, mas é antes de tudo, operatório. É onde quer que se apresente, poderá possibilitar múltiplos focos de resistências, nas relações de forças que passa tanto pelas dominantes como pelas forças dominadas, que ao lutarem contra esse poder, efetivamente vão apoiar-se nos pontos básicos em que ele os afeta. Pois, ao estarem submetidos às relações de poder podem manifestar certa rebeldia e insurgências constantes.
Este constante movimento das forças, nas relações de poder, possibilita um discurso contínuo que cria condições de questionamentos, nova visão de mundo, novos paradigmas. O homem não se torna um ser estacionário, cristalizado. O movimento das forças poderá conduzi-lo a superação de seus limites e a busca de melhor qualidade de vida, desde quando aprenda a conviver em equilíbrio nas relações de poder, conheça seus direitos e lute pela igualdade social; sem, contudo deixar de estar consciente quanto ao antagonismo dessas mesmas forças que persistirão sempre de alguma forma sob qualquer aspecto.
Assim, o poder proporciona inúmeras possibilidades ao homem de adentrar em busca de posicionamento e realização dos seus ideais. No entanto, essa busca poderá ser de grandes lutas e sofrimentos. Contudo, as pessoas que acreditam no poder das forças materiais produzidas pela sociedade e sabem utiliza-lo no constante corpo a corpo terão efetivamente fortalecimento e condições de combate com derrotas e vitórias, mas com certeza, terão, sobretudo, conhecimento prático e teórico, para o equilíbrio ou não de suas existências.













Lurdinha Mattos
Enviado por Lurdinha Mattos em 13/02/2008
Alterado em 08/08/2014
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